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segunda-feira, 7 de maio de 2012




2o dia :

Noite esdridente. Pessoas gostam de festa por aqui, festa por nada. Travesseiro muito alto e duro. Não consegui acreditar nas horas de espectativa que se quebraram ao deitar nesta cama. 3 da manha, e meus pensamentos ainda batiam feito sinos em minha cabeça. Eu me virava, como se fosse fazer alguma diferença na altura do troço... 5 da manha e você não saía da minha cabeça. É difícil perceber que está sozinha, quando realmente está.. que aí quer mais que nunca estar com alguem. E o alguem que mais vem a tua cabeça, claro. Um mosquitinho me picou no calcanhar. Lugar mais estranho. Parece que foi uma marca, pra me lembrar da péssima noite que passei; faz coçar o tempo todo.                                                                                                                                                                                                                                                        
Acordei as 9, com crianças berrando na rua por falta de bola. Bola pra jogar bola. Bola essa que se eu a tivesse, teria enfiado uma a uma em suas gargantas, assim poderia ter um sono longo. Não porque estava confortável, mas sim porque estava exausta. Abri os olhos por um breve termo de segundos pra observar as horas. Pelos berros imaginei que fosse meio-dia e que estavam com fome. Mas 9? Após uma noite dessas? Percebi que o tempo que dormia, sonhei que estava aqui, junto a mim. Talvez assim, o tormento da primeira noite não tivesse sido tão destacado.
10 da manhã, serviço de quarto. Pelo visto não esperam que ninguem durma muito por aqui. Me levantei, tonta, apenas com “roupa de baixo”(fez um calor louco noite passada). A deixei entrar, enquanto tomava um banho rápido. Ao sair, um rápido sorriso, seguida de sua saída. Eu ainda esperava encontrar uma desculpa pra sair, mas continuei aqui, olhando pro nada. Da pra acreditar nas minhas escolhas? Minha mãe estaria rindo neste momento. Aliás, ela deve estar lá, realmente acreditando que eu volto hoje mesmo. Não vou me render assim tão fácil. Um ótimo café da manhã. Bom, realmente apenas café. Nada desce. Um café com leite, que nem pediu açucar. Vi alguns rostos estranhos; voltei ao quarto. Na TV, nada de interessante. É domingo, imagine só. Resolvi ler, já que trouxe comigo uma série de livros, e não quero desperdiçar peso.
                                                                                                                   

Uma visita inesperada.                                                                                                                                                                          

Resolvi descer para a área de convivência, talvez ler lá me ajudaria a concentrar, porque aquele cubo que é meu quarto, estava me deixando louca. E aí vi um rosto familiar. Familiar até demais, pena que não simpatizante. Me olhou como se fosse me engolir, penso que assustado assim como eu. Trocamos olhares mais uma vez, e logo após se sentou à minha frente, juntamente com sua mae ou irmã, não pude identificar.  Havia também um homem, com sua família. Aquele filho branquelo com os olhos esbugalhados, que não se desviavam de mim. Estava tramando, tinha certeza. Continuei me enganando, olhando pras letras do livro sem fazer idéia do que estava escrito. Pensei nos meus amigos, ainda dormindo pela ressaca do sábado. Se imaginassem como foi o meu sábado... Na verdade, acho que nem se importam muito. Carol deve estar  tentando imaginar que diabos estou fazendo aqui sozinha. Já estive aqui, mas uma total e completa situação diferente. Agora me parecia muito estranho, tudo muito estranho.                                                                                                                                                  
A criança se aproximou, e jogou um cubo de borracha pro meu lado. Fingi não ver. Ela o pegou, e o jogou mais uma vez. O olhei de canto, e continuei sem expressão. Sei bem da facilidade que tenho para me irritar com crianças. Inclusive quando estas se parecem com meu primo de 7 anos.  Que falando nele, e em sua família.. é impressionante como não dão a mínima. Passei  5 meses fora, e mais do que amigos, esperava que minha família iria me procurar. Nem sinal, nem uma dica. Parece que quando você cresce, a bondade, diversão e carinho vão se perdendo junto. Foi assim que aconteceu. Mas acontece que, ter crescido, não muda o fato de eu ainda precisar de tudo isso. Penso é por este motivo que meus amigos sempre foram mais minha família do que os mesmos. Só que chega um momento, que você tem que saber reconhecer o que realmente está acontecendo. É isso que estou tentando fazer.  – a criança desistiu, penso-


Mencionei que quebrei minha camera fotográfica enquanto dormia? Ela estava na cômoda ao meu lado, e eu simplesmente dei um tapa não intencional. Ouvi a queda, mas estava muito cansada pra olhar qual foi o motivo. Nesta manha não pude acreditar. Ela não ligava por nada. Aparecia algo na tela, dizendo “turn it off and on again” que mais parecia “se comporte como Idiota, ligando e desligando a camera enquanto eu mandar”. Eu ganho de todos em desastres materiais. Depois dessa, o computador está no centro da cama, com meus dois pés o protegendo.                                         
Recebi uma ligação de minha mãe. Conversamos por uns 20 minutos, antes que ela resolveu me dar lição de moral. Disse que precisava sair para conhecer a cidade. “Então tá, mas assim que voltar me ligue.” Típico.                                                                                                                                              
Saí. Só gente bonita, alegria, festa. Nada se compara a um céu desses. Quase familiar aos meus ultimos 5 meses, sem comentar do frio delicioso. Almoçei num restaurante mineiro, no outro quarteirão. Saí, e continuei andando, tendo certeza de que sabia voltar. Tênis e uma leve jaqueta. Queria tanto uma câmera pra mostrar pros meus amigos este lugar incrível, robusto,  e ao mesmo tempo monótono. Não vão acreditar quando contar. Não mesmo.    Estou realmente tendo um ótimo dia. Parei quando reparei num parque. Me encontrei sentada num balanço de pneu, enquanto escrevia. Escrevi sobre meus pensamento avulsos, rabiscos de músicas para a banda...  escrevi sobre o tempo que perdi desistindo por alguns meses do meu sonho. Maldição.                                                                                                                                        
Voltar para a cidade me traz arrependimento pelo fato de eu saber que estou perdendo tempo. Tudo bem que ainda sou nova, mas mais o tempo passa, mais eu me sinto desmotivada a fazer qualquer coisa. Eu só quero música, e não vou desistir tão fácil! – Mas voltar também me traz a lembrança de que passei os melhores anos da minha vida aqui, com as melhores pessoas que podia ter conhecido. Pena que aparentemente, não tenho sido tão correspondida.
Acho que se passaram 2 ou 3 horas que eu fiquei ali sentada. Resolvi voltar pro hotel. E quando volto, não é que sou quase atropelada por um fusca? Estava dispersa, como sempre.  Entrei o mais rápido que pude, depois do susto, e pensei em ligar pra minha mãe. Mas se fizesse isso, ela não acreditaria que eu estou realmente tendo uma boa segunda experiência, então resolvi voltar com o meu livro para a área de convivência. Já deviam ser umas 6 da tarde, assim. Quando encontrei um espaço vago, observei as pessoas à minha volta, e me deparei mais uma vez com aquele rosto familiar. Desta vez, ele sorriu. Eu, educadamente, sorri de volta, e rapidamente voltei os olhos para meu livro. Não olhei mais. Li 100 páginas e percebi que o tempo aqui não passa nunca. Ainda eram 7h e eu não tinha mais nada pra fazer.                                                                                                                                          

Voltei para o quarto, liguei pra minha mãe, que me contou que um amigo me ligou hoje à tarde. Me surpreendi quando me disse quem... Enfim, agora estou aqui, comendo uma pizza que pedi do dellivery que se encontra bem em frente ao hotel, e pensando no que vou fazer amanha. Tem uma pista de skate aqui atraz. Talvez vá conhecer..
Boa noite :*

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