Notes are the best way to speak...



terça-feira, 15 de maio de 2012



Essa viagem me trouxe um experiência incrível.                                                                                  
Conversando com uma senhora de 84 anos, me prendi num mundo que não era mais meu. Saila era encatadora a sua maneira, cheia do que parecia ser o fundo de experança com a qual sempre sonhou. Era doce, mas os olhos carregados de tristeza e sofrimento. Transparecia calma, o tempo inteiro, e sobretudo indiferença. Era nobre, e provavelmente motivo de orgulho dos filhos, netos e biznetos.                                                                                                                                                                         
Tive a oportunidade de me encontrar a sós com ela, e conversamos por quase 3 horas. Me contou de sua vida, e de seus arrependimentos. Começamos mergulhando num ano que eu ainda nem sonhava em existir.
1931 foi o ano que mais encontrou tristeza. Toda sua familia chorava pela dor de perder um pai. Moravam na melhor fazenda da região! Possuíam terras, gado, cavalos imensos, simpatia e bem estar. Eram poderosos, mas humildes e felizes. Seu pai, enraizado pela confiança e sabedoria que jamais o abandonou e o levou a ser exemplo não só para a familia, mas para amigos e conhecidos.Traído pelo melhor amigo, com um tiro no peito, não lhe restou um dia para se despedir adequadamente. Era uma noite fria, assustadora e infelizmente, solitária.
Esta criança, caçula, cresceu saudável, alegre e sempre a mais ingênua entre irmãos e irmãs. Eram 8. Tinha um sonho de se tornar atriz, considerando as remotas chances que tinha, considerando a época e o local que morava. Se escondia no curral, com vestes que pegava escondido da mãe, e penas de galinha para enfeitar o cabelo, enquanto girava e atuava como se houvesse uma imensa platéia a seu dispor.
Só de ouvir aquela história, meu coração se despedaçou. Olhava em seus olhos, que estavam focados num ponto bem distante. Ela enrolava um papel de propaganda entre os dedos e o despedaçava sem dar importância. Seus olhos brilhavam feito cristal e sorria, involuntariamente. Me fez perceber o quanto um passo em falso, pode mudar toda a sua vida. O quão poderoso pode ser uma única oportunidade? Deve ser usada de todas as maneiras, até realmente não ter mais saída.
Ela continuou, sem parecer dar importância se eu estava mesmo ouvindo ou não. Narrou seus 14 anos, de sonhos, solidão e amor ainda não descoberto. Todos os irmão já estavam trabalhando pela fazenda, e irmãs com seus pretendentes. Me disse ela, “já era hora de ter o meu, já tinha 14 anos, não tinha estudos e precisava de alguem para me sustentar. O quão ignorantes poderiam ser os pais e costumes naquela época”.  Foi impressionante como Saila descreveu suas opções. Era certo que nunca teve escolha, mas será que não tivesse realmente outra saída. Era realmente muito nova, e com aqueles pensamentos e costumes, com certeza muito mais nova do que realmente era. Não, não tinha outra saída.
“Nunca vou me esquecer de Adilon”. Adilon, contou-me ela, era seu príncipe dos sonhos de filme. Filho de um amigo da família. “Moreno, alto, nem muito magro, nem gordo. O corpo que a maioria espera. Estatura também não fazia diferença, já que ele aparecia montade em cavalos enormes, sempre bem dispostos e aparentemente feroses. Porém sua expressão sempre fora doce, suave. Eu o desejava, e senti pela primeira vez o estranho sentimento descrito por minhas irmãs”.
Na época, casamento arranjado não era nenhuma surpresa, e quanto mais tardava, mais difícil era de se encontrar um partido. Todas as suas irmãs tiveram a sorte de encontrar quem desejavam, apesar de todo o arranjo, indiferente. Saila queria ser amada, sentia falta do abraço do pai, que foi o ultimo que recebera. Queria sentir que teria uma vida feliz. Era ambiciosa, admitiu, mas tudo graças aos sonhos.
No inverno de 1944, era tarefa das famílias ir rezar em casas alheias, pelo santo responsável pela guarda do ano. Saila e suas irmãs estavam, todos os dias, fiéis a essa devoção. “O problema é que eu não me importava com o santo, e sim com meu problema matrimonial. A pressão da minha família aumentava mais a cada dia que passava e se eu não encontrasse o amor dos meus sonhos, seria obrigada a casal com o filho do general, que era amigo de meu pai. O rapaz me dava arrepios e nojo” contou-me ela.
As semanas se passaram, de rezas e obrigações e pressão consecutiva da familia. Ela estava com duas de suas irmãs na fazenda vizinha, rezando como sempre, quando se deparou com um senhor. Moreno feito verniz, alto, magro até demais, com bigode e cabelos negros. Estava com duas crianças ao seu lado, e jamais sorria, ou parecia se concentrar na reza.
As irmãs de Saila mal o viram, já começaram a fofocar, e chamar a sua atenção. “Não paravam de dizer que era perfeito pra mim. Não era novo, nem muito velho. Mas é claro que eu não me importei, já que não fazia meu tipo e obviamente era casado com duas filhas.” Disse Saila com uma expressão carregada, obviamente com repugnância da situação descrita.
A celebração mal havia terminado e Mides já estava perguntando a todos quem era a baixinha da pele branca, e cabelos negros. Saila só queria ir embora logo, pois não podia suportar a idéia de estar perto daquele “cabra safado”.
Sua familia teve conhecimento de Mides, e descobriu que era um funcionário da maior empresa de madeira da região. É claro que a familia tinha posses, portanto esperavam encontrar para seus próximos pessoas de boa condição social.
Mas foi neste mesmo período que a mãe de saila descobriu que estavam falindo. Sua fazenda, gado e outras terras estavam indo a leilão graças a dívidas desconhecidas que não haviam sido pagas. Como as mulheres não tinha muito conhecimento naquela época, quando o Pai de Saila faleceu, não havia mais ninguém para ter certeza sobre os negócios da família. Conhecimento precário era o problema.
Tudo isso levou ao desespero. Ou Saila se casava com Mides, que a afereceu tudo que podia dar, ou seria o filho do general.
No mesmo ano de 44, Saila se casou com Mides e se mudaram para a cidade. Os primeiros meses do casamento já demonstravam catástrofe. Ela era infeliz, e ele um mizerável. Era boêmio, de uma forma nada suportável. Não existia traição. Mas que traição seria maior do que o desrespeito que tinha por ela? “Quantas vezes levantou a mão pra mim, de tão bebado e por motivo nenhum? Quantas vezes disse coisas que eu não merecia ouvir? Eu chorava dentro do banho de esponja, sonhando com meus dias de glória como atriz, perdidos por um casamento desagradável, amargo e selado por uma cerimônia que nem perto chegara a ser o que sempre sonhei”.
Me doeu ve-la falar de tal forma. Eu esperava anciosa pelo final feliz, pela mudança drástica. Fato que me trouxe lágrimas de tristeza, por ela.
Em maio de 1945 Saila teve sua primeira filha, Marta. Marta foi a maior alegria à vida de outra criança que era Saila. 17 anos, havia amadurecido muito mais que o esperado. A responsabilidade de cuidar de uma casa e agora, de uma menina linda.
“Marta veio como um anjo pra me salvar. Eu não temia mais nada, enfrentaria qualquer coisa por ela. Ele nunca deu suporte, nunca ajudou a cuidar, a levar ao médico, nada. E só de pensar em separação, eu já era ameaçada. E como podia? Minha familia não tinha mais nada, pobre mãe a minha... e eu, sem estudos? Como sustentaria meu anjo de tal forma?”

Em 1948 deu a luz a Margarida. Margarida sempre fora mais sensível a problemas de saúde, o que a obrigava a passar noites no hospital, já que não tinha muita escolha.
Em seguida vieram Alexia e Arley. Ambos exepcionalmente saudáveis e muito parecidos com a mãe. “Foi o que eu sempre pedi a Deus. Que eles não se parecessem nada com o pai, para não me trazer mal lembrança. É claro que amaria meus filhos de qualquer forma, mas os queria mais meus que nossos.”
Os anos se passaram e os filhos eram cada vez mais envergonhados pelo pai. Chegava sempre embriagado, 2h, 3h da manhã. Fazia greve de fome. Quebrava pratos, jogava coisas pela janela da casa. Gritava para envergonhar a todos, e fingia de morto dentro da banheira. “Costumávamos chegar, olhar pela janela do banheiro, de onde só se podia ver os pés imóveis de Mides, como se estivesse deitado, sufocado. Bem que eu queria que fosse verdade, mas só de pensar que meus filhos um dia poderiam tomar aquilo como exemplo, eu fazia meu papel de esposa preocupada, e o tirava de lá a murros. Pena que estes, eu recebia em troca”.
Saila esticou o braço direito, e pude observar uma cicatriz profunda, na dobra do cotovelo. Me explicou ser um ato de defesa que teve, ao perceber que Mides jogaria uma faca contra a parede. “Margarida estava brincando, bem em baixo da parede. Quando percebi, tive tempo apenas de esticar o braço. Mas jamais digo que falhei, pois salvei da dor ¼ do meu coração.”
Foi tão bonito observar o quanto Saila foi a maior mãe que já conheci. Me contou que muitas mães naquela época, abandonavam a casa, os filhos, tudo, graças aos maridos loucos e perigosos.
Ela jamais considerou Mides louco, era apenas falta. Falta que teve de amor, carinho e paciência. Foi criado pelo padrasto, a chicoteadas e gritos. O irmão morreu de tuberculose e se encontrou sozinho. Não sabia o que era amar de verdade, muito menos receber.
Confessou a mim, com lágrimas nos olhos que jamais o amou. Seu sentimento era de pena, e nada mais. Sacrificou seus sonhos por seus filhos, do que não se arrepende. Porém sofre por jamais ter encontrado o amor de sua vida. Não esperava terminar sozinha, sem um companheiro e como me disse ela “um parceiro de passagem”. Passagem dessa, pra melhor.
Os anos se passaram, seus filhos cresceram. Tiveram famílias felizes, maridos e esposa amáveis, filhos incríveis dos quais Saila se orgulha muito!
Saila e Mides se separaram em 1972, o que ela considerou atrasado. E neste mesmo ano, Saila começou os estudos. Hoje é formada em psicologia!
Decidiu passar o resto de sua vida viajando. Já conheceu quase todas as capitais brasileiras, e visitou 24 países (diversos Estados em cada um).  Hoje participa de um grupo de teatro com 42 Idosos.
Sua filha mais velha se formou em medicina. Margarida tornou-se atriz, trabalha na Europa e é o maior orgulho de Saila. “Amo todos igualmente, mas o fato de Magi ter se tornado atriz, me fez reviver todos os meus sonhos de infância, e ainda faz, quase todos os dias.”
Alexia e Arley abriram uma empresa juntos, e hoje seu sobrenome reina uma cidade no RS.
E se lembra de Adilon? A irmã mais velha de Saila se separou, e em 2 anos, casou-se com ele.
Saila não mantém contato com seus irmãos, nunca mais viu a mãe, apenas soube de sua morte.
Hoje mora pelo mundo, tem surporte dos filhos e vive uma vida tranquila!
“Nada vai mudar o que passei durante minha juventude, mas tudo que eu quero, é terminar minha vida tranquila, em paz. Se não sorri por mim, sorrio pelos meus filhos. Se não encontrei meu príncipe, eles encontraram os seus. Do ponto em que meu pesadelo terminou, minha realidade apareceu, e se preencheu de realizações desde então. Me considero feliz, sim. Mas graças a Deus, ainda sou moça, e tenho muito pela frente.”Terminou ela, dando a gargalhada mais gostosa que eu já ouvi de alguém.

A história de Saila mudou completamente meu conceito sobre muitas coisas. Sobre sonhos. Estes deveriam ser postos em primeiro lugar, se realmente valozirados. Hoje é feliz, certo. Mas pra que passar por tudo aquilo quando se tem conhecimento? Saila não teve muita opção, mas eu tenho, assim como você.
Me despedi de Saila por um breve momento. Hoje a noite, vou até o teatro local, assistir à peça de seu grupo de teatro...

Vivien, 06/05/2012

terça-feira, 8 de maio de 2012



3 dia:

Mais uma noite atordoada. Mas percebi que a culpa não é apenas dos travesseiros, mas sim dos pensamentos. Não preguei o olho a noite toda, assim como não parei de pensar nas coisas que tem me incomodado. Vim tentando descansar, e ao invéz disso tudo só piora.                                                            Terminei de ler um dos livros, e provavelmente irei começar outro em alguns minutos. Segunda feira terminando e eu já me perguntando do que será minha terça. Os dias estão realmente voando, e eu ja sei bem o que vou fazer assim que chegar em casa. A propósito, a internet não me faz falta, muito menos meu celular. Estranho, já que quando estou perto deles, não desgrudo um segundo. Acho que é porque ele não tem dado muito sinal de vida alheia ultimamente.
Como não conseguia dormir, levantei às 7h e fui tomar um banho bem demorado, pra me tirar a irritação da segunda noite mal dormida. Me lembrei que de segunda a sexta o café é mais cedo, então desci as pressas pra pegar um café bem quente, e coletar um mapa da cidade pra descobrir o que de interessante faria hoje. Percebi um dos vários museus e afins, que conta com histórias sobre a cidade, e que por surpresa era de entrada franca e me chamou bastante a atenção. Agradeci por ter algo pra fazer, já que eu estava completamente perdida. Não estava com vontade de voltar pra casa ainda (principalmente porque quero provar que aguento ficar aqui mais que 3 dias!), mas percebi que aqui realmente não tem nada pra fazer. Matias não fazia idéia pra onde eu ia, mas mesmo assim resolvi procurar algum festival ou festa, que ele me recomendou a fazer. Mas pelo visto, nada por essa época do ano.                                                                                                               


Café da manha tranquilo, e mais uma vez avistei o resto cinhecido. Isso já está começando a me encomodar, já que não trocamos nem uma palavra de qualquer forma, sendo que ja fomos tão próximos. Mas queria tanto sair, que nem dei muita importância. Subi, peguei a jaqueta (foi um dia meio nublado e bem fresco), o caderno e a caneta, e saí. De manha assim tão cedo, as ruas são muito tranquilas. Mas é claro, de tanta confusão que fazem até as 4 da manha, não esperava menos que uma dormida até as 2 da tarde. Só a besta aqui que fica igual zumbi!                                                                                                                                               
Atravessei a rua, peguei um ônibus instruído pelo porteiro do hotel, e desci bem em frente ao modesto museu. Museu este que se estivesse andando despercebida pela rua, poderia jurar ser uma casa abandonada que virou atração turística. Tinha mais gente do lado de fora, tirando fotos, do que observei do lado de dentro, assim que entrei. INCRÍVEL, aboslutamente incrível. Exatamente como me lembrava! Tudo que mais me chamou a atenção uma vez, continuava com o intenso brilho e refrescancia! Que droga, quebrei minha câmera. É impressionante como sempre acontece, bem quando eu preciso. Já é a terceira vez. Quando percebi, haviam passado 2 horas e eu ainda estava absolvida com tanto conhecimento.                                                                                                                            De lá, segui à catedral, que era a apenas alguns minutos andando. Só conseguia prestar atenção na brisa maravilhosa, e nos sorrisos alheios. Entrei naquele imenso castelo, e me deparei com um grupo em escursão. Lotado demais, fiquei num canto tentando ouvir o que a guia dizia.Nostalgia.                                                                                                                                                                                 Foi quando percebi que estava com fome. Minha barriga roncou e me lembrei de que não havia comido nada des da pizza de ontem. Fui a um self service perto da catedral, que me custou os olhos da cara.
Voltei para o hotel, e assim na entrada, me deparei com ele mais uma vez. Desta vez, ele cumprimentou e retribuí. Perguntou o que eu estou fazendo aqui, o que me pareceu uma pergunta idiota já que é uma cidade turistica, certo? Talvez ele tenha indagado o fato de eu estar sozinha, coisa pela qual eu não dou a mínima. Sem contar que foi muita coincidência justo ele estar aqui, nos mesmo dias que eu estou. Azar é meu nome do meio, afinal. Me despedi com impaciência, explicando que tinha coisas a fazer (Rá, eu voltando pro hotel as 3, e tenho muita coisa a fazer?), e subi. Só estou comentando pra não perder nenhum detalhe, não porque me interesso pelo assunto, que fique claro. O que aconteceu ficou pra traz, e mesmo que eu tenha problemas em esquecer coisas passadas que me magoaram, ainda assim estão no passado. Fim. Nada com o que eu tenha que me preocupar. Se bem que é a minha vida né, eu não me surpreenderia com mais nada desagradável.                                                                                                                                                           Subi, troquei de blusa, liguei pra minha mãe e saí mais uma vez. Fui até a pista de skate que havia visto ontem. LINDA! Me lembrei do Pombo assim que cheguei. Impressionante, imensa, bem grafitada, limpa, porém vazia. Talvez porque é segunda feira.                                                                      Fiquei lá por 2, 3 horas. Me fez muito bem, o clima estava maravilhoso, e a paz me ajudou a escrever. Tá que parece coisa de idiota, mas eu amo isso, essa paz, estar sozinha. Minha mãe diria que eu não viajei pra isso... como se eu me importasse.
O pior chegou agora a pouco, a uns 20 minutos atraz. Pior por um certo lado, claro. Minha mãe me ligou, me avisando que tenho que voltar pra Ipatinga. Pelo que parece, meu tio me conseguiu um emprego e eu tenho uma entrevista depois de amanhã. Já! Perturbador, constando que eu estou amando estar aqui sozinha, e ainda não coloquei nem metade dos pensamentos no lugar. Não quero voltar ainda. Vamos ver o que acontece até amanhã...
Boa noite *:

segunda-feira, 7 de maio de 2012




2o dia :

Noite esdridente. Pessoas gostam de festa por aqui, festa por nada. Travesseiro muito alto e duro. Não consegui acreditar nas horas de espectativa que se quebraram ao deitar nesta cama. 3 da manha, e meus pensamentos ainda batiam feito sinos em minha cabeça. Eu me virava, como se fosse fazer alguma diferença na altura do troço... 5 da manha e você não saía da minha cabeça. É difícil perceber que está sozinha, quando realmente está.. que aí quer mais que nunca estar com alguem. E o alguem que mais vem a tua cabeça, claro. Um mosquitinho me picou no calcanhar. Lugar mais estranho. Parece que foi uma marca, pra me lembrar da péssima noite que passei; faz coçar o tempo todo.                                                                                                                                                                                                                                                        
Acordei as 9, com crianças berrando na rua por falta de bola. Bola pra jogar bola. Bola essa que se eu a tivesse, teria enfiado uma a uma em suas gargantas, assim poderia ter um sono longo. Não porque estava confortável, mas sim porque estava exausta. Abri os olhos por um breve termo de segundos pra observar as horas. Pelos berros imaginei que fosse meio-dia e que estavam com fome. Mas 9? Após uma noite dessas? Percebi que o tempo que dormia, sonhei que estava aqui, junto a mim. Talvez assim, o tormento da primeira noite não tivesse sido tão destacado.
10 da manhã, serviço de quarto. Pelo visto não esperam que ninguem durma muito por aqui. Me levantei, tonta, apenas com “roupa de baixo”(fez um calor louco noite passada). A deixei entrar, enquanto tomava um banho rápido. Ao sair, um rápido sorriso, seguida de sua saída. Eu ainda esperava encontrar uma desculpa pra sair, mas continuei aqui, olhando pro nada. Da pra acreditar nas minhas escolhas? Minha mãe estaria rindo neste momento. Aliás, ela deve estar lá, realmente acreditando que eu volto hoje mesmo. Não vou me render assim tão fácil. Um ótimo café da manhã. Bom, realmente apenas café. Nada desce. Um café com leite, que nem pediu açucar. Vi alguns rostos estranhos; voltei ao quarto. Na TV, nada de interessante. É domingo, imagine só. Resolvi ler, já que trouxe comigo uma série de livros, e não quero desperdiçar peso.
                                                                                                                   

Uma visita inesperada.                                                                                                                                                                          

Resolvi descer para a área de convivência, talvez ler lá me ajudaria a concentrar, porque aquele cubo que é meu quarto, estava me deixando louca. E aí vi um rosto familiar. Familiar até demais, pena que não simpatizante. Me olhou como se fosse me engolir, penso que assustado assim como eu. Trocamos olhares mais uma vez, e logo após se sentou à minha frente, juntamente com sua mae ou irmã, não pude identificar.  Havia também um homem, com sua família. Aquele filho branquelo com os olhos esbugalhados, que não se desviavam de mim. Estava tramando, tinha certeza. Continuei me enganando, olhando pras letras do livro sem fazer idéia do que estava escrito. Pensei nos meus amigos, ainda dormindo pela ressaca do sábado. Se imaginassem como foi o meu sábado... Na verdade, acho que nem se importam muito. Carol deve estar  tentando imaginar que diabos estou fazendo aqui sozinha. Já estive aqui, mas uma total e completa situação diferente. Agora me parecia muito estranho, tudo muito estranho.                                                                                                                                                  
A criança se aproximou, e jogou um cubo de borracha pro meu lado. Fingi não ver. Ela o pegou, e o jogou mais uma vez. O olhei de canto, e continuei sem expressão. Sei bem da facilidade que tenho para me irritar com crianças. Inclusive quando estas se parecem com meu primo de 7 anos.  Que falando nele, e em sua família.. é impressionante como não dão a mínima. Passei  5 meses fora, e mais do que amigos, esperava que minha família iria me procurar. Nem sinal, nem uma dica. Parece que quando você cresce, a bondade, diversão e carinho vão se perdendo junto. Foi assim que aconteceu. Mas acontece que, ter crescido, não muda o fato de eu ainda precisar de tudo isso. Penso é por este motivo que meus amigos sempre foram mais minha família do que os mesmos. Só que chega um momento, que você tem que saber reconhecer o que realmente está acontecendo. É isso que estou tentando fazer.  – a criança desistiu, penso-


Mencionei que quebrei minha camera fotográfica enquanto dormia? Ela estava na cômoda ao meu lado, e eu simplesmente dei um tapa não intencional. Ouvi a queda, mas estava muito cansada pra olhar qual foi o motivo. Nesta manha não pude acreditar. Ela não ligava por nada. Aparecia algo na tela, dizendo “turn it off and on again” que mais parecia “se comporte como Idiota, ligando e desligando a camera enquanto eu mandar”. Eu ganho de todos em desastres materiais. Depois dessa, o computador está no centro da cama, com meus dois pés o protegendo.                                         
Recebi uma ligação de minha mãe. Conversamos por uns 20 minutos, antes que ela resolveu me dar lição de moral. Disse que precisava sair para conhecer a cidade. “Então tá, mas assim que voltar me ligue.” Típico.                                                                                                                                              
Saí. Só gente bonita, alegria, festa. Nada se compara a um céu desses. Quase familiar aos meus ultimos 5 meses, sem comentar do frio delicioso. Almoçei num restaurante mineiro, no outro quarteirão. Saí, e continuei andando, tendo certeza de que sabia voltar. Tênis e uma leve jaqueta. Queria tanto uma câmera pra mostrar pros meus amigos este lugar incrível, robusto,  e ao mesmo tempo monótono. Não vão acreditar quando contar. Não mesmo.    Estou realmente tendo um ótimo dia. Parei quando reparei num parque. Me encontrei sentada num balanço de pneu, enquanto escrevia. Escrevi sobre meus pensamento avulsos, rabiscos de músicas para a banda...  escrevi sobre o tempo que perdi desistindo por alguns meses do meu sonho. Maldição.                                                                                                                                        
Voltar para a cidade me traz arrependimento pelo fato de eu saber que estou perdendo tempo. Tudo bem que ainda sou nova, mas mais o tempo passa, mais eu me sinto desmotivada a fazer qualquer coisa. Eu só quero música, e não vou desistir tão fácil! – Mas voltar também me traz a lembrança de que passei os melhores anos da minha vida aqui, com as melhores pessoas que podia ter conhecido. Pena que aparentemente, não tenho sido tão correspondida.
Acho que se passaram 2 ou 3 horas que eu fiquei ali sentada. Resolvi voltar pro hotel. E quando volto, não é que sou quase atropelada por um fusca? Estava dispersa, como sempre.  Entrei o mais rápido que pude, depois do susto, e pensei em ligar pra minha mãe. Mas se fizesse isso, ela não acreditaria que eu estou realmente tendo uma boa segunda experiência, então resolvi voltar com o meu livro para a área de convivência. Já deviam ser umas 6 da tarde, assim. Quando encontrei um espaço vago, observei as pessoas à minha volta, e me deparei mais uma vez com aquele rosto familiar. Desta vez, ele sorriu. Eu, educadamente, sorri de volta, e rapidamente voltei os olhos para meu livro. Não olhei mais. Li 100 páginas e percebi que o tempo aqui não passa nunca. Ainda eram 7h e eu não tinha mais nada pra fazer.                                                                                                                                          

Voltei para o quarto, liguei pra minha mãe, que me contou que um amigo me ligou hoje à tarde. Me surpreendi quando me disse quem... Enfim, agora estou aqui, comendo uma pizza que pedi do dellivery que se encontra bem em frente ao hotel, e pensando no que vou fazer amanha. Tem uma pista de skate aqui atraz. Talvez vá conhecer..
Boa noite :*

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012


Estou aqui sentada em frente o Buckingham Palace, tentando desenhar um momento perfeito e totalmente meu, que talvez eu não tenha tido até hoje . Estar sozinha me faz observar estas árvores de inverno um tanto mais incríveis do que realmente já são, e me faz perceber o que talvez realmente importa e o que realmente quero e o quão forte eu posso ser pra conseguir!
Uma força maior é completamente o que eu preciso e acredito e o que me faz ficar tão admirada com o que talvez eu possa um dia conquistar!

Uma lagrima acabou de escorrer...

Escuto as moedas sendo jogadas na fonte atraz de mim, que em segundos são seguidos por um desejo. Talvez nesse segundo, meu desejo seja simples; Paz! Eu só quero Paz! Eu quero sucesso, amor demais, coisas novas.. Mas primeiramente preciso do que me dará força e sabedoria e valor próprio. Paz talvez seja realmente do que todos precisam e não pensam em procurar. E eu aqui, tentando demonstrar a mim mesma o quanto isso tudo tem sido de um valor imensurável, pra mim!
Hoje uma senhora muito doente me disse que eu deveria me esforçar ao máximo pra ser feliz enquanto eu puder, e enquanto eu não puder.. Porque vida, a gente só tem uma, e a felicidade deveria depender só de nós mesmos, e de mais ninguém, já que somos nós que merecemos e somos nós que temos que nos esforçar para ter o máximo de proveito. Na vida, é claro que as coisas dão errado e nem sempre saem como o planejado. Mas se foi planejado uma vez, planeje denovo, faça dar certo, faça ser bom, confie, queira sorrir, queira estar bem!!
Porque ao contrário?

Ta esfriando...

Ah, estar sozinha é de um conforto que eu jamais pude imaginar e talvez um exercício que me tem feito aprender a pensar, de alguma forma, de uma forma diferente do que estamos abituados.
Life's really good enough, we just need to learn it and enjoy it! That's the reason why it was made (:

Todo fim de tarde, enquanto eu puder, estarei aqui. Na parte mais alta, provida da melhor vista possível!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Tem coisas que acontecem em nossa vida que realmente nos faz questionar do porque. Porque podem se passar meses, anos, e não ser descoberto o motivo pelo qual as coisas não deram certo, e insistem em não dar. É simplesmente confuso demais, e perturbador o suficiente para nos fazer perder o controle. A mente é realmente algo um tanto inexplicável e conturbado, que se afeta por pouco.
Eu fico me questionando se há algum motivo por passarmos por coisas ruins tão inexplicáveis. Porque deve realmente haver algo muito bom nos esperando. Ninguém vem para sofrer o tempo todo, e como diz um velho ditado, "se não está tudo bem, é porque não está no fim". Mas quer saber? A impaciência é um dádiva um tanto negativa.
É como algo que você constrói e reconstrói, mas que no fim desmorona por pouquíssimo. E chega uma hora que você simplesmente cansa. Cansa de lutar por quem não merece. Cansa de perdoar quem insiste no erro. Cansa de amar a quem é impossível não amar. Cansa de olhar para os outros e passa a se valorizar. Tá aí um ponto bom, e é esse que trará o que é bom de verdade! Pessoas vão machucá-lo o tempo todo, mas você não pode fazer isso consigo! É uma verdadeira burrice, e falta de amor. Tenha amor, claro. Mas tenha primeiro por ti. Faça as coisas por ti, e assim será mais forte para lidar com os outros.

Repetitivo demais. Mas incrivelmente verdadeiro.
E que existe algo muito bom para cada um, isso é certeiro. Não há dúvidas, já que Ele é perfeito! Não tem problema se não acredita, mas então tenha fé em algo, em qualquer coisa. Ela te fortalece e te ajuda a caminhar com maior facilidade!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Ontem me deparei com minha própria intrigante observação, durante um tempo, que poderia ser de 30 segundos, mas que me pareceu uma eternidade. Eu me encontrava debaixo de uma pequena área coberta, longe de toda aquela água que era derramada do céu, observando uma poça que refletia toda e qualquer luz que com ela se encontrava.
Porém, aquela pequena poça d'água me trouxe lembranças as quais eu jamais poderei descrever. E junto com elas, uma sombra de angústia, que me fez perceber o quanto o tempo tem passado sem se importar em momento algum com o que vamos pensar sobre isso. Passa por nós com tanto egoísmo, que retira aqueles pequenos detalhes que deveriam realmente fazer a diferença, mas que simplesmente desaparecem com o passar, do tempo. As alegrias que vivemos, não voltam mais; os sorrisos que um dia presenciamos, não serão mais representados da mesma forma.
Boas lembranças? Claro! Sempre serão bem vindas. Mas nada se compara à nostalgia do dia que não mais se repetirá.
Me lembrei dos sorrisos inocentes da infância, e dos medos que não me atingem mais, percebendo que a alimentação psicológica que damos a nós mesmos, nos transforma em algo surpreendente, e brilhante. O que falta é reconhecer, valorizar, amar.
Se arrepender dói tanto, então não ha necessidade de faze-lo acontecer. Sorrisos não medem esforços, nem tão pouco abraços sinceros e gestos honestos; dizer o que sente, antes que seja tarde demais, não traz más consequências, se você não abrir espaço para elas. Só queira abrir espaço para o que te faz bem! Buscar por isso me soa tão prazeroso...
Eu estava por me comprometer com a tentativa,

mas uma buzina me fez acordar do pequeno encanto, e assim como tudo na vida, tive de voltar a lutar pelos meus próprios 30 segundos: os intermináveis.

domingo, 26 de junho de 2011


Vamos nos permitir mais, abrir mais nossas cabeças e corações. Vamos experimentar não só ouvir o proprio ego e escutar mais o resto do mundo que também tem muito o que aprender. Há sempre um jeito de sair do 'beco sem saída'. Toda hora é hora de agir, mudar, e aprender alguma coisa. Ninguém é perfeito, mas concerteza o caminho da vida é esse. Vamos querer sempre mais, buscar sempre mais, viver sempre mais e mais. Não se sinta fraco demais pra correr atrás, e muito menos bom demais pra precisar correr. Pode ser de um jeito facil ou de um jeito doloroso, mas de qualquer forma todos nós nos tornaremos seres melhores algum dia. Talvez na vida, ou talvez depois dela. Humildade pra aceitar o proprio erro e pedir perdão, e perdoar os outros que assim como você, também erram.
Nunca é tarde demais pra reverter situações, e nada é grave o bastante que não possa ser perdoado. Mas lembre-se: Independente de ser perdoado ou não, procure não agir da mesma forma, e crescer cada vez mais como ser humano. Ninguém tem a formula da vida 'perfeita', ou a forma 'correta' de se viver. Mas concerteza coisas como essas que eu escrevi aqui e muitas outras que eu ainda nao compreendi ou não me lembrei, servem bastante. Ame a vida. Ame o ser humano. Ame, acima de tudo, as pessoas que te fazem bem e que sempre estão do seu lado. Acredite. Pare de reclamar só por reclamar. Ame a arte de ser diferente e aceitar que os outros também são. Agradeça a Deus por acordar e viver a sua vida 'chata'. Mostre que você é capaz, quando nem você acredita que é. Sinta o que tiver que sentir. Pague os 'micos' que forem, desde que seja feliz. Seja feliz. Corra pelado. Sorria. Ande de bicicleta. Abrace todos que ama. E FODA-SE a opinião de quem nem sabe o que realmente é ser feliz e o que te faz feliz.
É dessa forma crua, simples e brega, que eu convido todos vocês a viver de verdade.

: de meu caro amigo, Leon F.